Com cinco corridas ainda em jogo, a Temporada de 2026 da Fórmula 3 se encaminha para um final que promete ser disputado. Foto: Quinn Rooney – Getty Images

No começo deste mês de setembro, a F3 se encaminha para os dois últimos fins de semana da Temporada de 2026, em Monza e no novo circuito de Madring, respectivamente. Restando apenas cinco corridas a frente, a disputa pelo campeonato segue competitiva, com cinco pilotos sendo os mais favoritos na competição, em meio aos dezesseis pilotos que ainda possuem chances matemáticas de levarem o título.

Tendo em vista que a Fórmula 3 já demonstrou diversas vezes que a situação de um campeonato pode mudar de diversas maneiras, muitas vezes em períodos curtos, esta matéria trará um resumo dos destaques dos principais favoritos ao título de 2026 da F3.

A temporada consistente de Freddie Slater

Correndo pela tradicional equipe Trident, Freddie Slater demonstrou potencial na luta pelo título desde o começo do ano. Foto: Dutch Photo Agency.

Campeão da Fórmula Regional Européia em 2025, o inglês Freddie Slater chegou com bastante força e expectativa na F3, principalmente depois de conquistar um segundo lugar em sua estréia na categoria, na etapa do Bahrein, onde correu pela AIX substituindo Nikita Bedrin. Assim, não foi surpresa quando a Trident o anunciou como piloto para 2026, ao lado de Noah Strømsted e Matteo de Palo.

Na abertura da temporada, em Melbourne, Slater se classificou em terceiro, e apesar de não ter pontuado na Sprint, conquistou um segundo lugar na Feature Race, que lhe garantiu a vice-liderança do Campeonato. Na próxima etapa, em Mônaco, conseguiu cravar sua primeira Pole Position, e manteve uma pilotagem consistente para ser terceiro na Feature Race.

Apesar de ter pontuado nas duas corridas da etapa seguinte na Espanha, incluindo um segundo lugar na Sprint Race, ele perdeu espaço para Théophile Nael e Bruno del Pino na classificação, e caiu para a quarta posição. Porém, após uma performance forte na Feature race da Áustria lhe garantir um terceiro lugar, depois de abandonar a Sprint Race, o inglês retornou a vice-liderança na tabela, atrás apenas do norte-americano Ugo Ugochukwu.

No fim de semana seguinte, em Silverstone, Slater conseguiu fazer mais uma Pole Position, e novamente pontuou em ambas as corridas da etapa, sendo sétimo na Sprint e segundo na Feature Race. Na Bélgica, o inglês conquistou sua terceira Pole, e apesar de abandonar na Sprint, conseguiu chegar em segundo na Feature Race, e ficou apenas um ponto atrás de Ugochukwu na classificação, depois do norte-americano abandonar nas duas corridas do fim de semana.

Apesar de perder a Pole da etapa seguinte na Hungria para o japonês Taito Kato, Slater consegue pontuar na Sprint, e realiza uma performance forte para conquistar sua primeira vitória no ano na Feature Race, e também assumir a liderança do campeonato, oito pontos à frente de Ugochukwu, e com ampla vantagem sobre o restante do Top 5 da tabela.

Chegando nas últimas provas do ano, Slater chega com muita expectativa. Até o momento, ele é o único piloto que pontuou em pelo menos uma corrida de cada etapa da temporada, tendo assim a melhor consistência dentre os cinco primeiros da classificação. Com uma vantagem de oito pontos na liderança, o inglês ainda vai precisar lutar para conseguir garantir o campeonato nos próximos fins de semana, apesar de ainda despontar com um dos favoritos.

O ano meteórico de Ugo Ugochukwu

Correndo pelas cores da Campos Racing, Ugo Ugochukwu vem amarrando uma temporada forte e repleta de pódios. Foto: Divulgação – F3

Depois de uma temporada estréia morna em 2025 pela Prema, onde teve como melhores resultados dois segundos lugares, Ugo Ugochukwu chegou em 2026 com expectativas modestas, e também de casa nova, tendo se mudado para a atual campeã Campos Racing, sendo companheiro de Théophile Nael e Ernesto Rivera.

Em Melbourne, Ugochukwu conseguiu se classificar em segundo, e venceu a Feature Race, depois de não pontuar na Sprint, e assumiu de cara a liderança do campeonato, com sete pontos de vantagem sobre Freddie Slater e Bruno del Pino. O norte-americano pontua novamente nas duas corridas de Mônaco, sendo sexto na Sprint e quarto na Feature Race, e consegue manter uma liderança consistente na tabela sobre os rivais mais próximos.

Na etapa da Espanha, ele abandona na Sprint, mas consegue performar bem na Feature, conquistando um terceiro lugar e mantendo a vantagem na classificação. Na próxima prova, na Áustria, Ugochukwu fica em nono na Sprint, e conquista um segundo lugar na Feature Race, assim consolidando uma vantagem de dezesseis pontos na liderança do campeonato.

No próximo fim de semana, em Silverstone, o norte-americano conquista seu melhor resultado na temporada, levando sua segunda vitória no ano na Sprint, e cruzando a linha de chegada em terceiro na Feature Race, o que aumentou sua liderança na tabela para dezoito pontos. Porém, na etapa seguinte, em Spa, Ugochukwu tem uma performance apagada, e não pontua no fim de semana, o que permitiu que Freddie Slater se aproximasse, ficando apenas um ponto atrás do norte-americano no campeonato.

Precisando de um bom resultado na próxima prova na Hungria, Ugochukwu se saiu bem na classificação, e apesar de não pontuar na Sprint, conseguiu levar o segundo lugar na Feature Race. Mas a performance não foi o bastante para o norte-americano manter a liderança na tabela, que agora caiu nas mãos de Slater, que possui oito pontos de vantagem.

Apesar de não ter conquistado nenhuma Pole Position no ano, é nítido que Ugochukwu demonstra muita velocidade, apesar de seus resultados muitas vezes serem oscilantes. O norte-americano vai precisar correr atrás neste final de temporada para superar a consistência de Slater.

A ascensão discreta de Théophile Nael

Sendo o piloto com mais Pole Position na temporada no momento, Théophile Nael demonstrou performances fortes em ocasiões especificas. Foto: Getty Images.

Vencedor do prestigioso GP de Macau de F3 em 2025, Théophile Nael chega em 2026 vindo de um ano de estréia promissor pela MP Motorsport em 2025, onde conquistou três pódios e foi oitavo na classificação. Assim, para seu segundo ano na F3, ele conseguiu uma vaga na atual campeã Campos Racing, correndo ao lado de Ugo Ugochukwu e de Ernesto Rivera.

E o francês começou o ano de forma promissora, cravando a Pole Position para a etapa de Melbourne. Entretanto, ele não conseguiu pontuar nas duas corridas do fim de semana, e começou bastante atrás na classificação. Ele fez a Pole novamente no próximo fim de semana em Mônaco, e apesar de não ter pontuado na Sprint, conseguiu terminar em segundo na Feature Race, e subiu para a quinta colocação na tabela, logo atrás de Brando Badoer.

Na Espanha, Nael consegue sua terceira Pole Position, e começa bem o fim de semana pontuando com um oitavo lugar na Sprint. Na Feature Race, ele consegue performar de maneira consistente, e conquista sua primeira vitória na F3, o que o elevou para a vice-liderança da classificação, oitavo pontos atrás de Ugochukwu. Na próxima prova, Áustria, o francês tem um fim de semana apagado, não pontuando ans duas provas, e acaba caindo para terceiro na tabela, dez pontos atrás de Freddie Slater.

Apesar de conquistar um terceiro lugar na Sprint da etapa seguinte, em Silverstone, ele não pontua na Feature Race, o que permitiu que Slater abrisse mais vantagem sobre ele na classificação. Em Spa-Francorchamps, o francês novamente tem um fim de semana fraco, pontuando com um sexto lugar na Sprint, mas sendo apenas décimo quinto na Feature Race, o que o deixou quase quarenta pontos atrás de Slater e Ugochukwu, líderes com folga da classificação.

Na etapa seguinte na Hungria, Nael conseguiu conquistar mais uma vitória na Sprint, apesar de depois não ter conseguido pontuar na Feature Race, onde teve uma performance bastante fraca. Como resultado, o francês se manteve em terceiro na tabela, porém com cinquenta pontos de desvantagem sobre os dois primeiros colocados da classificação.

Apesar de ter começado o ano de forma promissora nas classificações, Nael conseguiu poucas vezes demonstrar esta mesma velocidade nas corridas, e como resultado, sua chegadas não conseguiram lhe render uma posição mais vantajosa no campeonato. Assim como o restante do Top 5 do campeonato, o francês vai precisar de uma sorte bem alinhada no final desta temporada para ter alguma chance mais concreta de superar Ugochkwu e Slater.

A retomada surpreendente de Ernesto Rivera

Apesar de ter começado a temporada definitivamente um pouco mais tarde, Rivera conseguiu alinhar resultados bastante consistentes em seu ano de estréia na F3. Foto: Divulgação – F3.

Vindo de temporadas excelentes no Kart, o mexicano Ernesto Rivera demonstrou também bastante velocidade em suas primeiras temporadas nos monopostos em 2024 e 2025, correndo na Eurocup-3 e na F4. Para 2026, ele conseguiu assinar com a Campos Racing para fechar o trio da equipe espanhola na F3, sendo companheiro dos experientes Ugo Ugochukwu e Théophile Nael.

Entretanto, sua temporada teve começo apenas na segunda prova do ano, depois de um acidente na Fórmula Regional da Oceania deixa-lo com uma lesão nas costas, com o australiano Patrick Heuzenroeder o substituindo na abertura do ano em Melbourne. Em Mônaco, o mexicano teve uma estréia morna, abandonando a Sprint e chegando em quinto lugar na Feature Race.

Na etapa seguinte na Espanha, novamente sofreu um abandono na Sprint Race, e conquistou um sétimo lugar na Feature Race. Já na Áustria, Rivera alinhou uma performance consistente para receber a bandeirada em primeiro na Sprint Race, conquistando sua primeira vitória do ano. O mexicano não pontuou na Feature Race, mas começou de forma gradual a subir na classificação.

Em Silverstone, ele pontuou na Feature Race, com um décimo lugar, depois ter chegado apenas em décimo quarto na Sprint, e após isso, na Etapa de Spa-Francorchamps, terminou em oitavo na Sprint, e conquistou mais uma vitória na Feature Race, depois de superar a Van Amersfoort de Hiyu Yamakoshi. Essa sequência de resultados catapultou Rivera para o quinto lugar na classificação, apenas três pontos atrás do quarto colocado Noah Strømsted.

Na etapa da Hungria, o mexicano conseguiu manter o ritmo consistente, conquistando um terceiro lugar na Sprint e depois terminando a Feature Race em sexto. Com isso, ele conseguiu subir para quarto na tabela, superando Strømsted e ficando apenas um ponto à frente do italiano Brando Badoer.

Apesar de ter demorado um pouco para começar a apresentar destaques durante o ano, Rivera vem tendo uma temporada de estréia com vários momentos de destaque. Mesmo que as chances não sejam as mais concretas, o mexicano ainda tem alguma possibilidade na luta pelo título, o que resta é que a sorte esteja ao seu lado nas últimas cinco corridas da temporada.

Os destaques inesperados de Brando Badoer

Tendo um sobrenome carregado de infâmia na F1, Brando Badoer vem demonstrando performances consistentes em seu segundo ano de F3. Foto: Dom Gibbons / Getty Images.

Filho do ex-piloto Luca Badoer, Brando chegou na F3 vindo de temporadas bastante na média nas categorias mais baixas da base. Correndo com a lendária Prema em 2025, o italiano teve uma temporada, tendo como melhor chegada um sexto lugar na Sprint Race da Hungria, e terminando ano como vigésimo quinto na classificação. Para 2026, ele trocou o vermelho da Prema pelo preto e branco da Rodin Motorsport, onde se juntou ao estreante Pedro Clerot e ao veterano Christian Ho.

Na primeira prova do ano em Melbourne, Badoer começou bem conquistando seu primeiro pódio com um terceiro lugar na Sprint Race. Ele não pontuou na Feature Race, mas teve um começo de temporada bom. Na etapa seguinte em Mônaco, ele recebeu a bandeirada em primeiro na Feature Race, depois de abandonar a Sprint, e assim conseguiu subir para a quarta colocação na classificação, com 28 pontos.

Na Espanha, ele conseguiu pontuar em ambas as corridas, conquistando um décimo lugar na Sprint e depois chegando numa forte quarta posição na Feature Race, o que o aproximou bastante dos líderes da classificação. Entretanto, Badoer teve uma performance apagada na etapa seguinte na Áustria, chegando fora dos pontos em ambas as corridas, e acabou caindo para quinto na tabela, logo atrás de Bruno del Pino.

O italiano novamente não pontuou na prova seguinte em Silverstone, onde foi décimo nono na Sprint e décimo sétimo na Feature Race, mas conseguiu fazer uma leve recuperação ao conquistar um segundo lugar na Sprint Race seguinte, em Spa-Francorchamps. Na sequência, ele não pontuou na Feature Race, e como resultado, caiu para oitavo na tabela, perdendo espaço para Ernesto Rivera, Hiyu Yamakoshi e Maciej Gladysz.

No próximo fim de semana, na Hungria, Badoer apresentou uma melhora na performance, conquistando um quinto lugar na Sprint, e depois terminando a Feature Race na terceira posição, levando mais um pódio na temporada. Com esses resultados, o italiano conseguiu se recuperar na tebal, retomando a terceira posição, com 71 pontos, apenas um ponto atrás de Ernesto Rivera e quatro pontos atrás de Théophile Nael.

Depois de sua estréia fraca em 2025, Badoer vem tendo uma temporada de altos em baixos em 2026, com os altos sendo bastante notáveis. Assim como Rivera e Nael, o italiano está em uma posição mais desfavorável no campeonato, e suas chances recaem muito sobre a sorte em seus resultados e nos resultados dos rivais que estão em sua frente na classificação.

Expectativas gerais para a reta final

Apesar de matematicamente dezesseis pilotos ainda terem chances no campeonato, a luta pelo título está claramente centrada entre Freddie Slater e Ugo Ugochukwu, que até o momento foram os pilotos que mais demonstraram consistência em seus resultados. Apesar do inglês ser o atual líder na tabela, o norte-americano ainda vem com bastante força para a metade final da temporada.

As chances para o restante do Top 5 dependem completamente dos resultados de Slater e Ugochukwu no começo dessa fase final. A depender de como as corridas decorram na próxima etapa em Monza, há grandes chances de que Brando Badoer, Théophile Nael e Ernesto Rivera sairem da disputa do campeonato, assim como restante dos outros pilotos que ainda tem chance na disputa, como Bruno del Pino, Noah Strømsted, Hiyu Yamakoshi e Maciej Gladysz.

Todavia, um fator importante e que pode influenciar no resultado do campeonato é a última etapa em Madring. O circuito estréia no calendário em 2026, tendo tido suas obras prontas apenas na metade de agosto. O primeiro teste realizado pela F3 na pista foi repleto de acidentes e bandeiras vermelhas, e terminou com Slater liderando o primeiro dia, e depois com Ugochukwu sendo o mais rápido na segunda sessão.

Além disto, o final de semana em Madrid terá uma estrutura diferente do restante das etapas do ano: será realizada uma corrida Sprint e duas Feature Races. Assim, o número de pontos possíveis de serem conquistados é consideravelmente maior, o que pode impactar bastante na disputa, principalmente tendo em vista que, a depender do desenrolar das corridas, é possível algum piloto conquistar cinquenta pontos vencendo as duas Feature Races, o que representa, por exemplo, a diferença entre o líder e o quinto colocado da classificação.

O fator de novidade que a pista trás para a mesa também possibilita um final movimentado e repleto de acontecimentos, sejam eles ultrapassagens mas principalmente acidentes, como já foi perceptivel nos testes. Mas antes disso, os rumos do campeonato seram ditados pela tradicional prova de Monza, circuito de alta velocidade, e que promete trazer corridas rápidas e movimentadas, e que seram de suma importância na luta pelo título da F3 2026.

Apesar de não ser tão apertada e próxima quanto a final da Temporada de 2022, ainda há bastante espaço para reta final de 2026 trazer emoção e disputas. Agora resta o tempo ditar quem conquistará o título, seja ele um dos favoritos, ou um dos azarões dos quais a chance recai sobre boa fortuna.

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