Conheça alguns dos diversos momentos marcantes da primeira temporada da história da Fórmula E. Foto em destaque: LAT Images

Atualmente, a Fórmula E é uma categoria de bastante destaque no automobilismo internacional, tendo em seu grid pilotos de bastante prestígio e realizando corridas disputadas por vários circuitos de rua ao redor do mundo. Apesar do renome e reconhecimento da categoria terem crescido muito nos últimos anos, estes aspectos estavam presentes desde o seu começo.

Foi há 10 anos atrás, em setembro de 2014, que a Fórmula-E teve o início de sua primeira temporada, que passou por diversos circuitos de rua ao redor do mundo, e contou com um grid de nomes de bastante peso, indo desde ex-pilotos de F1 até corredores de renome em certames como o WEC. E isso tudo se tornou realidade após anos de planejamento e negociação.

As origens da Fórmula E

No começo de 2014, foi realizada uma exposição em Las Vegas para apresentar o carro da Fórmula E. Foto: Motorsport Images/LAT Photos

A concepção da Fórmula E começou por meados de 2010, por parte de Jean Todt, chefe da FIA na época. Ele se reuniu com o empresário Alejandro Agag e com o político italiano Antonio Tajani para discutir a criação de uma categoria de corridas em circuitos de rua com carros elétricos. Após a reunião, os dois concederam completo apoio ao projeto.

A partir de então, começaram-se as preparações para a criação da categoria, que ganhou o nome de Fórmula E a partir de 2013. Enquanto Agag forneceu apoio midiático e financeiro, Tajani endossou bastante a categoria e o incentivo que ela daria a iniciativa dos carros elétricos.

A montadora italiana Dallara construiria o chassi da categoria, que seria empurrado por um trem de força desenvolvido pela McLaren, com um sistema de baterias fabricados pela Williams e transmissão feita pela Hewland. A Michelin anunciou que seria distribuidora oficial da categoria no final de 2013.

Na época entre 2012 e 2014, o projeto Fórmula E já foi chamando atenção, principalmente depois de uma séria de pilotagens de exibição do carro, feitas com o piloto brasileiro Lucas Di Grassi, ex-corredor da F1 e que na época competia regularmente no WEC. Foi de fato em 2014 que o calendário da primeira temporada da categoria foi oficialmente anunciado, assim como as equipes e pilotos que correriam durante o ano.

O calendário e as equipes

Dentre as equipes que competiram na primeira temporada da Fórmula E, uma das mais prestigiadas era a DAMS, que veio com o apoio da Renault. Foto: Speedsport Magazine

A temporada teve seu início em setembro de 2014, e se encerrou em junho 2015. Houveram corridas em diversos lugares ao redor do mundo todo, indo desde Punta Del Este no Uruguai, Putrajaya na Malásia, Long Beach e Miami nos Estados Unidos, e até mesmo em Moscou na Rússia e em Pequim na China.

Ao todo dez equipes se inscreveram para competir na temporada, e todas tinham algum renome por trás. Desde equipes consagradas como a Andretti, a Dams, apoiada pela Renault, e a ABT Sportsline, apoiada pela Audi, até outras criadas na época, como a China Racing, a Venturi e a Virgin Racing.

No grid, haviam pilotos dos mais diversos calibres, com alguns nomes sendo de bastante peso por ali, como Nicolas Prost, Bruno Senna, Lucas Di Grassi, Sebastién Buemi, Nelsinho Piquet, Sam Bird, Jarno Trulli, Nick Heidfeld e Takuma Sato. Vários destes correram por diversas categorias nos últimos anos, e tinham bastante bagagem para trazer a pista.

Um começo emocionante

Largada do ePrix de Pequim 2014, a primeira corrida história da Fórmula E. Foto: Formula E Divulgação.

Com o grid e o calendário formado, chegou o grande dia da primeira corrida da história da categoria, em 13 se setembro de 2014, no circuito de rua de Pequim, na China. Os treinos já demonstraram que os carros eram bem rápidos na pista, e na classificação o francês Nicolas Prost, da Dams, se tornou o primeiro Pole Position da Fórmula E.

Na largada no domingo, Prost conseguiu partir bem e segurou a Audi de Di Grassi, para liderar desde a primeira volta. O brasileiro acabou caindo para terceiro após os Pit Stops, enquanto Nick Heidfeld assumiu o segundo posto. Conforme a corrida foi chegando ao seu final, o alemão começou a chegar perto do francês, ficando um segundo mais próximo do francês a cada volta.

Prost abriu o último giro com Heidfeld logo na cola, e o alemão tentou o passar na última curva. Mas, o piloto da Dams fechou a porta, fazendo com que os dois se tocassem, sendo que a Venturi do alemão derrapou, levantou voo ao passar por cima da zebra, e bateu forte no muro logo a frente. O francês teve a suspensão dianteira esquerda quebrada no incidente.

Com o carro danificado, Prost perdeu muito ritmo, e foi passado por Di Grassi, que recebeu a bandeirada para se tornar o primeiro vencedor da Fórmula E. Logo na prova de estreia da categoria, a Fórmula E já trouxe bastante emoção e surpresa, o que angariou uma audiência bastante considerável, que acabou assistindo o restante da temporada.

Os duelos e confrontos do começo do ano

Lucas Di Grassi, da Audi ABT, começou o ano liderando o campeonato com uma boa vantagem. Foto: Divulgação Formula E

Após o começo em Pequim, a próxima parada foi Putrajaya, na Malásia. De início, Prost cravou sua segunda Pole do ano, mas teve largar de trás por conta de uma punição devido ao acidente com Heidfeld na corrida anterior. Assim, o espanhol Oriol Servià, da Dragon Racing, herdou a Pole Position, e teria o privilégio de largar na frente do Grid.

O espanhol conseguiu manter a ponta na largada, mas um acidente entre Katherine Legge e Michele Cerruti provocou a entrada do Safety Car. Quando a bandeira verde foi dada, na Volta 5, Servià foi passado por Sam Bird, da equipe Virgin, que de cara abriu bastante vantagem e venceu de maneira tranquila na Malásia, a frente da Audi Di Grassi e da Dams de Sebastién Buemi.

Um acontecimento que marcou bastante esta segunda corrida da Fórmula E foi uma disputa entre dois sobrenomes lendários. Nicolas Prost e Bruno Senna batalharam fervorosamente pelo quarto lugar, numa disputa bem movimentada. Senna passou Prost na penúltima volta para tomar vez o posto, mas o brasileiro bateu na última volta, e assim seu rival francês terminou a quarta colocação.

Na primeira metade do campeonato, Sebastién Buemi, da Dams, foi crescendo na classificação aos poucos. Foto: Divulgação Formula E

Na terceira corrida, em Punta Del Este, no Uruguai, o estreante Jean-Éric Vergne, da Andretti, levou a Pole. O francês perdeu a liderança para Nelsinho Piquet, da China Racing, na largada, mas recuperou depois de cinco voltas. Após os Pit Stops, Vergne caiu para segundo e Sebatién Buemi, liderou a prova.

Vergne tentou alcançar o piloto suiço, mas abandonou a prova faltando duas voltas para o fim com um problema mecânico. Assim, Buemi venceu sua primeira corrida na Formula E, com Piquet em segundo e Di Grassi em terceiro, com este último conseguindo se manter na ponta na classificação graças ao pódio.

Na próxima etapa, em Buenos Aires, Buemi cravou a Pole, a frente de Jaime Alguersuari da Virgin e de Nick Heidfeld da Venturi. O suiço conseguiu manter a liderança na largada e se segurou na primeira fase da corrida, logo a frente de Di Grassi e Heidfeld, até que o Safety Car entrou na pista na volta 16, após Chandhok sofrer uma quebra em sua suspensão.

Pouco após a corrida ser retomada, na Volta 21, Buemi bateu no muro e quebrou sua suspensão, tendo de abandonar a prova, e deixando Di Grassi na liderança. Porém, cinco voltas depois, o brasileiro sofreu uma quebra de suspensão parecida com a de Chandhok e abandonou a corrida. Então, Heidfeld tomou a ponta brevemente pela primeira vez.

Mas, o alemão acabou sendo punido com um drive through por exceder o limite de velocidade no Pit Lane, e assim, António Félix da Costa, que vinha fazendo uma corrida discreta com sua Amlin Aguri, se tornou o novo líder, e conseguiu levar sua primeira vitória na Fórmula E, a frente de Nicolas Prost e Nelsinho Piquet.

Uma metade de temporada disputada

Apesar da vitória perdida na abertura da temporada, Nicolas Prost, da Dams, viria a ter vários destaques no primeiro ano da Fórmula E. Foto: LAT Images

Em Miami, quinta etapa do ano, Vergne cravou sua segunda Pole Position, a frente de Piquet e Prost. O francês da Andretti chegou a liderar o começo da prova, mas perdeu a ponta para Daniel Abt, da Audi ABT, após os Pit Stops. O alemão manteve a ponta até errar e cair para terceiro faltando duas voltas para o fim.

Assim, Nicolas Prost conquistou sua primeira vitória no ano, a frente de Scott Speed da Dragon Racing, e com Abt em terceiro. Após a prova,o francês da Dams passou Di Grassi no campeonato e se tornou o novo líder. No campeonato das equipes, a Dams aumentou a vantagem na liderança enquanto a Audi passou a Virgin para ser a vice-líder na tabela.

Na próxima corrida em Long Beach, Abt fez a Pole a frente Prost e Piquet, mas na largada, o alemão partiu mal e o brasileiro voou para assumir a ponta. O piloto da China Racing fez uma corrida perfeita, liderando quase todas as voltas da corrida, exceto uma, e levou a vitória com facilidade, a frente da Andretti de Vergne e da Audi de Di Grassi.

A vitória deixou Piquet na vice-liderança do campeonato, apenas um ponto atrás de Di Grassi, que retomou a liderança da tabela, enquanto Prost, que terminou em sexto em Long Beach, caiu para terceiro na tabela, catorze pontos a frente de seu companheiro de equipe Sebastién Buemi.

Apesar de não ter estado sempre em destaque no começo, Nelsinho Piquet, da China Racing, entrou com tudo na luta pelo título depois de Buenos Aires. Foto: LAT Images

A sétima corrida da temporada, em Mônaco, veio a ser a primeira corrida tranquila e pouco disputada da categoria. Apesar de um acidente bizarro na largada que tirou Senna e Alguersuari da disputa, Buemi fez a pole e venceu liderando de ponta a ponta, assim se tornando o primeiro multi-vencedor da Fórmula E, a frente de Di Grassi e Piquet.

Na prova seguinte, em Berlim, Jarno Trulli, correndo por sua equipe própria, a Trulli, levou uma Pole inesperada, batendo Lucas Di Grassi. Mas, na corrida, o italiano acabou perdendo a liderança para o brasileiro ainda na primeira volta, antes de abandonar a prova na Volta 13 com problemas mecânicos.

Em uma corrida disputada e cheia de ultrapassagens, os carros da Dragon levaram destaque, com Loïc Duval realizando diversas ultrapassagens, e Jérôme d’Ambrosio superando Buemi nos pit stops e disputando a liderança com Di Grassi nas voltas finais. Mas, apesar dos esforços do belga, o brasileiro recebeu a bandeirada e venceu pela segunda vez no ano.

Entretanto, após a inspeção pós-corrida no parque fechado, foi encontrada uma irregularidade na asa dianteira do carro de Di Grassi, o que fez o piloto ser desclassificado da prova, e deu a Jérôme d’Ambrosio e a Dragon Racing sua primeira vitória na Fórmula E, e ao novato Loïc Duval, companheiro de equipe do belga, seu primeiro pódio.

A decisiva reta final

Apesar de não ter estado sempre em destaque no começo, Nelsinho Piquet, da China Racing, entrou com tudo na luta pelo título depois de Buenos Aires. Foto: LAT Images

Depois de Berlim, Nelsinho Piquet assumiu a liderança do campeonato, dois pontos a frente de Buemi, enquanto Di Grassi acabou despencando para terceiro depois de perder a vitória na alemanha, estando nove pontos atrás do suiço da Dams, e onze pontos atrás de seu compatriota.

Na nona e antepenúltima corrida do ano, em Moscou, Vergne cravou sua terceira Pole, logo a frente de Piquet, que o ultrapassou logo na largada para assumir a ponta. O brasileiro liderou quase toda a corrida para conquistar sua segunda vitória no ano, a frente da Audi de Di Grassi, e da Venturi de Heidfeld, que fechou o pódio; Buemi foi apenas nono.

Com este resultado, Piquet aumentou sua vantagem na liderança, enquanto Di Grassi passou Buemi para ser vice-líder da tabela. Assim, estes três pilotos, e o quarto colocado Nicolas Prost chegavam as duas últimas corridas do ano, em Londres, como favoritos ao título.

Terceiro colocado na classificacão chegando em Londres, Buemi teria que superar uma diferença de treze em relação ao lider Piquet. Foto: Motorsport Images

Na primeira de duas corridas de Londres, Buemi conseguiu superar d’Ambrosio d cravou a Pole Position. Apesar de ter sido ameaçado pelo belga na largada, o suiço se manteve na frente, e venceu liderando de ponta a ponta. Di Grassi terminou a prova em quinto, com Piquet logo atrás na sexta colocação. Logo atrás deles, Prost terminou a etapa na sétima colocação.

Com estes resultados, Buemi saltou para a vice-liderança do campeonato, apenas cinco pontos atrás de Piquet, e estando oito pontos logo a frente de Di Grassi. Atrás deles, Prost acabou perdendo o quarto lugar no campeonato para d’Ambrosio, que terminou em segundo na primeira corrida de Londres.

Já no campeonato das equipes, a Dams se consagrou como a primeira equipe a se tornar campeã na Fórmula E, depois de o resultado de Buemi e Prost fazer a equipe abrir a vantagem necessário sobre a Audi. A equipe alemã agora teria de disputar com a China Racing, que mudou de nome no começo do ano e virou NEXTEV TCR, pelo vice-campeonato.

Assim, a Fórmula E chegou na grande final de 2014-15, a segunda corrida da categoria em Londres. A diferença de Buemi e Di Grassi para Piquet não era vantajosa para o brasileiro da NEXTEV, mas ele ainda tinha chances muito boas de conseguir se segurar para levar o título.

Um final acirrado

Quase uma década depois de perder sua chance na Fórmula 1, a primeira temporada da Fórmula E representouuma chance de redencão para Piquet. Foto: Speedsport Magazine

Na classificação para a última prova, Stéphane Sarrazin conquistou a Pole Position com a Venturi, a frente das Dragons de d’Ambrosio e Duval. Buemi largaria de sexto, Di Grassi sairia da décima primeiro posição, enquanto Piquet largaria apenas de déximo sexto.

Sarrazin conseguiu largar bem e se manteve na ponta, enquanto que Buemi passou Bruno Senna e subiu para quinto. Mais atrász Di Grassi e Piquet começaram a escalar o pelotão. Em meio a diversas ultrapassagens na primeira metade da prova, Buemi era o favorito a conquistar o primeiro título da categoria.

Porém, logo após fazer seu Pit Stop, Buemi acabou rodando e perdeu o quarto lugar para Senna. O suiço tentou alcançar o piloto da Mahindra, mas não conseguiu o passar. Mais atrás, Piquet e Di Grassi ganharam terreno, e conseguiram manter um ritmo forte após a troca de carro no Pit Stop.

Sarrazin inicialmente recebeu a bandeirada para levar sua primeira vitória na Fórmula E, entretanto ele foi punido por ter excedido o limite do uso de energia, e assim Sam Bird conquistou sua segunda vitória na categoria, logo em sua corrida de casa.

Porém, o importante aconteceu logo atrás dos vencedores. Buemi não conseguiu passar Senna e chegou apenas em quinto, enquanto Di Grassi terminou em sexto, com Piquet em sétimo. Com estes resultados, Nelsinho Piquet se sagrou o primeiro campeão da história da Fórmula E, apenas um ponto a frente de Buemi; Di Grassi terminou em terceiro na tabela.

O começo de uma grande categoria

Apesar de ter amargado o vice-campeonato, Buemi conseguiria chegar a glória máxima na categoria logo na segunda temporada. Foto: LAT Images

Com um campeonato de estréia eletrizante e bastante disputado, a Fórmula E conseguiu angariar uma audiência bastante considerável e fiel, que acompanharia a categoria pelos próximos anos. Apesar de já ter tido em seu primeiro ano marcas e equipes grandes, outras viriam a se juntar ao grid nos próximos anos.

Nissan, Maserati, Jaguar, Porsche, BMW e McLaren estão entre as marcas consagradas que se juntaram ao grid da Fórmula E ao longo dos anos, sendo que destas, apenas a BMW não compete mais na categoria, tendo deixado o grid após 2021.

Quanto aos pilotos, diversos outros corredores de renome mundial como André Lotterer, José María López, Stoffel Vandoorne, Robin Frijns, Nyck de Vries, entre diversos outros, viriam a passar pela Fórmula E no futuro. Até mesmo ex-pilotos de Fórmula 1 respeitados, como Felipe Massa, Jacques Villeneuve e Kamui Kobayashi correram na categoria nos anos subsequentes.

Três pilotos, três destinos diferentes

Depois de levar o título de 2014-15, Piquet ficou com a NEXTEV até 2017, quando decidiu partir para a Jaguar. Foto: LAT Images

Quanto aos pilotos que protagonizaram a primeira luta pelo título da Fórmula E, cada um deles veio a ter um destino diferente nos anos seguinte. Buemi conseguiu se sagrar campeão logo na segunda temporada, em 2015-16, superando Di Grassi. Ele corre até hoje na categoria, disputando atualmente com a Envision, depois de deixar a Dams ao fim de 2022.

Di Grassi veio a perder o título da segunda temporada para Buemi, mas superou o suiço na terceira temporada para se tornar o segundo brasileiro campeão na categoria. Ele ficou com a Audi ABT até a saída da marca da categoria ao fim de 2021. Depois, ele passou pela Venturi e pela Mahindra, antes de retornar à equipe ABT, agora ABT Cupra, em 2024.

Apesar o título da Fórmula E ter sido uma marca em sua carreira, Piquet não conseguiria repitir a glória daquele ano denovo. Ele deixou a NEXTEV após 2017 para se juntar a Jaguar, onde ficou até 2019. No meio daquela temporada, a equipe o dispensou e colocou em seu lugar o britânico Alex Lynn. Desde então, Piquet não conseguiu retornar à categoria.

Uma resposta a “Relembrando Temporadas: 2014-15, o primeiro ano da Fórmula E”

  1. Excelente texto, Alex!!

    Curtir

Deixe um comentário

Tendência